Mãos ao alto! Isso é um trabalho voluntário.

Esses dias vi um cego do outro lado da rua, estava sozinho e a rua era bem movimentada, fiz questão de deixar minha bicicleta encostada na parede atravessar a rua e oferecer ajuda. Logo após o “Deus te abençoi” do outro lado da rua você se sente o ser mais filantrópico da terra, você incha o peito e torce para ter pessoas te olhando ali perto ou twitta na hora o quão generoso você é. Não havia pessoas olhando e só lembrei de twittar no outro dia. Só agora parei pra pensar quão idiota eu fui. Aliás não só eu, mas a sociedade tem o costume de classificar o nível de bondade de um indivíduo pelos  seus atos generosos ou pelo “montante” acumulado em doações, não importa se o cara é um nazi-fascista que gosta de ser serial killer nas horas vagas, já que ele ajuda a igreja todo mês com quantias generosas. Existem sim, pessoas que ajudam porque querem, até conheço uma, que rala o dia inteiro e de noite fica por conta de trabalhos voluntários porque gosta disso, mas são casos raros.

Um exemplo de caridade, sempre ajudando as criancinhas.

Um exemplo de caridade, sempre ajudando as criancinhas.

Hoje em dia ninguém ajuda por querer, (você já entendeu que não é pra generalizar tudo que eu escrevo aqui né?) e sim por que há uma grande pressão social. Explico: Você está para atravessar a rua, de um lado uma cadeirante idosa de uns 75 anos sozinha, de outra uma moça de uns 35 anos. O sinal fecha  e tudo que você pensa é em atravessar a rua correndo pois seu horário de almoço terminou. Mas a moça ao seu lado olha pra você e para a cadeirante repetidamente meio de lado, você mesmo que não conheça nem uma das duas tem uma imagem a zelar, e pra não fazer feio pra moça oferece ajuda à velha senhora. Um outro exemplo mais comum disso é quando você ajuda alguma instituição de caridade, onde todos os meses o motoboy vai até sua casa receber certa quantia. Se qualquer outra instituição aparecer para pedir ajuda você diz em claro e bom tom, pra todo mundo ouvir: “Não dá, eu já ajudo a APAE todo mês.” (troque a APAE pela instituição mais conhecida de sua cidade). É mais ou menos assim que funciona. Também há os que ajudam por status, que são na maioria gente com grande poder aquisitivo que ajudam para poder subir a sua popularidade na high society. Temos ainda os Filantrópicos plus, que são tipo um “todas as alternativas estão corretas”, ajudam para não fazer feio, para subir os status, e para reduzir o imposto de renda ! É meu amigo, por mais que você fique angustiado com o que eu escrevi, você é um de nós. Se não, me diga: Quantos idosos, criança e famílias carentes você ajudou no mês passado?

Se você pensou em me dizer ou parou pra contar a quantidade de pessoas que ajudou, você acaba de cair na pegadinha do malandro e assim como eu, se encaixa em alguma parte do texto acima. há! Agora, se você nem parou pra pensar porque sabe que não ajuda mesmo, pode ficar tranquilo e com a consiência limpa. (lol)

*  Sim, este post foi uma autocrítica .

* Você disse, pipoca?

* Essas observações no final do post eu to copiando do excelente “O Crepusculo” , não sei se vou usar sempre.

Uma resposta to “Mãos ao alto! Isso é um trabalho voluntário.”

  1. Abelardo Says:

    Eu não lembro de ter ajudado nenhum idoso além de minha avó não, mas eu já atropelei uma velhinha alguns anos a traz com minha bicicleta (claro que foi sem querer, ela apareceu na minha frente de vez QUANdo eu estava distraido olhando para o lado e ajeitando uma sacola que eu carregava, ela praticamente se jogou em cima da bicicleta a vitima fui eu tá?!) eu ajudei ela a se levantar.
    []’s
    @AbelardoDanger

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